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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Os Novos Caminhos da Informação


Podemos identificar que durante o conflito desencadeado no Iraque diferentes fatores mudaram a forma de cobertura dos acontecimentos da guerra. Uma vez que desde a 1° Guerra do Golfo (1990 - 1991) a dificuldade de se burlar a censura imposta pelo exército americano estava presente para as diversas redes de notícias que tentam enfrentar tal impedimento de forma diferenciada e diversa. Podemos ressaltar o papel de duas emissoras de notícias nesta empreitada: a empresa de rádio e TV portuguesa RTP e a TV do Catar, pequeno país do Oriente-Médio, a Al-Jazeera.

A Al-Jazeera é reconhecida mundialmente pela primeira vez no desenrolar da Guerra do Afeganistão uma vez que esta era a única rede de notícias que possuía autorização do Taleban para adentrar o território do país e relatar os acontecimentos do conflito. Este acontecimento garantiu que a Al-Jazeera levasse para o resto do mundo diferentes histórias sobre o conflito, uma vez que o exército americano só liberava imagens turvas pouco nítidas e pouco realistas de perfeitos bombardeios cirúrgicos e que não mostravam mortes desnecessárias ou vítimas civis. A Al-Jazeera consegue então, relatando o outro lado da guerra, divulgar para todo o mundo que nem todos os ataques aéreos realizados pelo exercito americano eram tão perfeitos assim relatando o bombardeio do prédio da Cruz Vermelha no Afeganistão entre outras tragédias vividas pelos civis.

No Iraque a Al-Jazeera conseguem de forma satisfatória, uma vez que possuía jornalistas em Bagdá e em outras partes do Iráque antes mesmo que os soldados americanos pudessem circurlar pelo território, relatar o cotidiano das ruas das cidades do país através de entrevistas ouvindo suas opiniões e debatendo com eles os acontecimentos do conflito. Tal forma de relatar a Guerra do Iraque obrigou as TVs ocidentais (até mesmo norte-americanas) a adquirirem imagens da empresa de notícias do Catar e deixar de lado as imagens e relatos pouco reais que afirmavam a perfeição dos ataques aéreos cedidas pelo exército americano.

A RTP, que mantinha repórteres no território iraquiano antes mesmo do início do conflito, consegue um furo de reportagem histórico. Mantendo uma equipe no hotel Palestine em Bagdá, o jornalista Carlos Fino e o cinegrafista Nuno Patrício, a RTP conseguiu superar suas concorrentes consideradas muito mais poderosas, a americana CNN e a inglesa BBC, sendo a primeira emissora de TV do mundo anunciar o bombardeio da capital do Iraque pelo exército americano. As reportagens da RTP chamavam a atenção pelo cuidado do repórter em retratar fatos que não eram divulgados em outras redes de notícias. Carlos Fino e seu companheiro transmitiam isenção, equilíbrio e idoneidade nas reportagens, ainda que estivessem confinados em Bagdá e imersos no mundo de Saddam Hussein era perceptível o tom crítico de suas matérias.

No Brasil, a TV Cultura de São Paulo, esta administrada pelo Governo do Estado de São Paulo a primeira emissora de TV brasileira a transmitir a invasão das tropas americanas no Iraque e as primeiras bombas caindo na capital iraquiana, uma vez que a TV Globo normalmente compra as imagens das grandes emissoras anglo-americanas (CNN e BBC). Com o acordo entre a TV Cultura de São Paulo e a RTP possibilitou que a emissora brasileira aproveitasse as reportagens feitas pela equipe portuguesa em Bagdá fossem transmitidas Jornal da Cultura, de transmissão ao vivo diária às 21hs, que graças as diferenças de fuso horário eram transmitidas primeiro em Portugal. Em pouco tempo, Carlos Fino se tornou também o correspondente de guerra do Jornal da Cultura, aparecendo ao vivo diariamente durante o jornal, 21hs da noite no Brasil e c0m o fuso horário: 03hs da manhã em Bagdá. Entre as reportagens da dupla Carlos Fino e Nuno Patrício podemos citar: bombardeios constantes, comentários sobre as bravatas do ministro de comunicação iraquiano, bombardeio de prédios civis, as agruras da população, a chegada dos americanos no aeroporto de Bagdá e o tiro de um tanque americano contra o hotel Palestine que matou vários jornalistas e por pouco não atinge a equipe portuguesa.

Podemos conferir como duas redes de notícias até então reconhecidas como de segundo plano e um pouco afastadas da hall das famosas redes de notícias internacionais como capazes de trazer uma interpretação diferente do conflito e do dia-a-dia da população iraquiana e de suas principais cidades. Tal empreitada foi realizada de forma competente e dinâmica se distanciando das notícias oferecidas pelo meio oficial do exército americano que acabam transmitindo opiniões parciais e com certa tom de propaganda para o poderio militar de ultima tecnologia que esta instituição possui. Vemos desta forma que competência e seriedade jornalística podem ultrapassar a simples exposição de acontecimentos sem qualquer tipo de debate e historização do desenrolar dos fatos e contruir assim para uma verdadeira relação dos fatos cotidianos que se desenrolaram durante a Guerra do Iraque.

Links Interessantes:

Confira a opinião de Carlos Fino sobre os recentes aconteciementos no território iraquiano

Combertura de uma equipe da RTP sobre a atuação da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Portugal no policiamento da cidade de Nassirriyah no Iraque em 2003

Vídeo promocional do dia de lançamento da Al-Jazeera English, demosntrando o pionerismo do jornalismo de guerra da emissora do Oriente-Médio em diferentes situações (Guerra do Iraque, Afeganistão, etc..), o sacrifício de alguns repórteres durante o seu ofício e a ira levantada em figuras políticas graças a sua empreitada.



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